Gilberto Gil desempenha um papel fundamental no processo de modernização da música popular no Brasil. Neste cenário, há 32 anos ele desenvolve uma das mais relevantes e reconhecidas carreiras como cantor, compositor e violonista.
No exterior, Gil tem seus álbuns lançados desde 1978, ano de sua bem-sucedida performance no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, registrada em disco. Anualmente ele mostra na Europa, na América do Norte, na América Latina e no Japão o seu contagiante som pop de língua brasileira e linguagem internacional. Uma música de forte apelo rítmico e riqueza melódica, tão miscigenada quanto o seu povo.
Gilberto Gil nasceu em 1942 em Salvador, Bahia, um dos mais tradicionais e originais centros de criação musical do mundo. Ritmos do Nordeste brasileiro como o baião, além do samba e da bossa-nova, foram determinantes em sua formação. A partir deles, Gil forjou um som próprio ao qual incorporou o rock, o reggae, o funk e ritmos baianos como o afoxé. Em suas letras Gil explora um leque de temas pertinentes à realidade moderna: da desigualdade social à questão racial, da cultura africana à oriental, da ciência à religião, entre outros. A maestria com que os aborda faz dele um dos maiores compositores-letristas brasileiros.
Sua importância para a cultura do seu país remonta aos anos 60, quando ele e Caetano Veloso criaram o Tropicalismo. Radicalmente inovador no plano musical, o movimento assimilou a cultura pop aos gêneros nacionais; bastante crítico nos planos moral e político, acabou reprimido pelo regime militar. Gil e Caetano foram presos e exilados.
Em Londres, Gil gravou um álbum em inglês para a Philips local. Ao voltar ao Brasil, iniciou uma série de discos antológicos nos anos 70: "Expresso 2222", "Gil Jorge" (com Jorge Ben Jor), "Os Doces Bárbaros" (com os baianos Caetano, Gal Costa e Maria Bethânia) e a trilogia conceitual formada por "Refazenda" (de extração country), "Refavela" (com ritmos da Jamaica, da Nigéria, do Rio e da Bahia) e "Realce".
Este, gravado em Los Angeles, fixou sua opção pela roupagem pop, que nortearia a realização dos seus trabalhos nos anos 80. Nos 90, vieram "Parabolicamará", "Tropicália 2" (uma comemoração, com Caetano, dos 26 anos do Tropicalismo) e "Unplugged" (coletânea gravada para a MTV). Em 1997, lançou o CD-duplo, "Quanta". Em 1998 "Quanta Gente Veio Ver" disco ao vivo que lhe rendeu, por sua edição internacional, "Quanta Live", o Best World Music Album, 41 Grammy Awards, prêmio máximo da música internacional. Em 2000 Gil lançou "Gilberto Gil e as can›es de Eu, tu, eles", com a trilha sonora do filme de Andrucha Waddington. Ele também assina a dire‹o musical do filme. Em 2002 lançou "Kaya N'Gan Daya".
Com mais de 30 álbuns lançados, Gilberto Gil coleciona seis discos de ouro, quatro singles de platina e mais de 4 milhões de cópias vendidas. Já gravou com nomes como João Gilberto e o grupo The Wailers. Ao vivo, cantou com Stevie Wonder; com Jimmy Cliff, fez vários shows em 1980. Entre os artistas que já gravaram composições suas estão João Gilberto, Gal Costa, Elis Regina, Sérgio Mendes, Ernie Watts e Toots Thielmans.
Por sua obra, Gil foi condecorado "Cavaleiro de Artes e Letras" pelo ministro da Cultura francês Jack Lang e já recebeu várias premiações no Brasil, onde é personalidade nacional. Nos últimos dez anos, tornou-se também um homem de ação em campos extra-musicais. Já foi vereador em Salvador e até hoje se envolve em projetos ambientalistas e sociais.